A solução que ninguém usava.

Como UX melhorou a adoção de uma plataforma e gerou R$ 5 milhões em vendas.


jornada

Há uma armadilha sutil que acomete equipes de tecnologia em grandes organizações. Ela começa com uma boa intenção: resolver um problema real, agilizar um processo, modernizar uma operação. Termina com um sistema funcionando perfeitamente do ponto de vista técnico e completamente ignorado do ponto de vista humano.

Na pressa de entregar uma solução, pula-se a pergunta mais importante: para quem, exatamente, essa solução foi desenhada?

Foi com essa pergunta em aberto que essa empresa chegou até nós.


O processo que emperrava um negócio inteiro

Com operação consolidada no mercado educacional brasileiro, a empresa comercializava kits didáticos para famílias de alunos por meio de parcerias com escolas. O modelo funcionava bem do ponto de vista comercial, mas escondia um problema operacional crescente: o processo de pagamento era inteiramente manual e burocrático.

Cada compra exigia intervenção humana. Cada confirmação atrasava. Cada atraso criava risco de impacto na entrega dos materiais, que seguia um calendário escolar sem margem para imprevistos.

O time de TI identificou o problema e agiu. Desenvolveu uma plataforma de compra direta para os pais. A solução era tecnicamente sólida. O rollout foi feito. E então aconteceu algo que ninguém havia antecipado: os pais simplesmente não usavam.

A plataforma existia. O problema continuava. E o time comercial começou a soar um alarme que não podia ser ignorado: as escolas parceiras, insatisfeitas com a experiência oferecida às famílias, ameaçavam romper contratos. O risco estimado era de R$ 2 milhões em acordos comerciais.

A pergunta que chegou até nós não era “como melhoramos a tecnologia”. Era algo mais desconcertante: por que uma solução criada para resolver um problema não estava resolvendo nada?


O que encontramos quando fomos ouvir quem precisava usar

Existe uma distinção entre projetos que pretendem apenas aplicar tecnologia ponta e projetos que buscam proporcionar uma boa experiência de uso (sem deixar de lado a tecnologia, é claro). O primeiro pergunta “o sistema funciona?”. O segundo pergunta “as pessoas conseguem e querem usar?”. São perguntas diferentes, com respostas frequentemente diferentes.

Fomos ouvir os pais. Conduzimos entrevistas com usuários reais, aplicamos avaliação heurística de usabilidade e realizamos testes com pessoas que representavam o perfil de quem precisava comprar os kits. Mapeamos a jornada de compra de ponta a ponta, do primeiro acesso até a confirmação do pagamento.

O diagnóstico foi claro. A plataforma havia sido construída com a lógica de quem a desenvolveu, não com a lógica de quem precisava usá-la. Os fluxos de compra tinham fricções significativas que impediam a conclusão do pagamento. A interface criava dúvidas onde deveria criar confiança. Os pontos de abandono eram previsíveis para quem sabia olhar: mas nunca haviam sido investigados.

O problema não era a tecnologia. Era a experiência que a tecnologia entregava.


A intervenção que destravou a operação

Com o diagnóstico em mãos, o caminho foi direto ao ponto. Realizamos o redesign da interface e dos fluxos de compra, simplificando cada etapa, eliminando as barreiras que impediam a conclusão da jornada e tornando o processo compreensível para pais com diferentes níveis de familiaridade com compras digitais.

Não foi uma reconstrução do sistema. Foi uma reconstrução da experiência que o sistema oferecia.


O que mudou, em números e em lógica

O risco de R$ 2 milhões em contratos foi revertido. A operação digital de vendas passou a funcionar. A dependência de processos manuais caiu. A relação com as escolas parceiras se fortaleceu. E ao final, a empresa realizou R$ 5 milhões em vendas pela plataforma que, semanas antes, ninguém usava.

Grandes organizações investem recursos significativos em transformação digital. Constroem sistemas, migram plataformas, automatizam processos. E frequentemente chegam ao fim desse caminho com ferramentas funcionando e pessoas que não as adotam, sem entender exatamente por quê.

A resposta quase sempre está no mesmo lugar: a experiência de quem usa nunca foi o ponto de partida do projeto. Quando a experiência do usuário deixa de ser um detalhe de interface e passa a ser o critério central de qualquer decisão de produto, algo muda. As soluções passam a funcionar: não só tecnicamente, mas humanamente.

FICHA TÉCNICA

SetorEducação
PorteMultinacional com operação consolidada no Brasil

Problema / DorMétodos / AbordagemBenefícios / Valor Gerado
Processo de pagamento manual e burocráticoEntrevistas com usuários reaisReversão de risco de R$ 2 milhões em contratos
Plataforma digital criada internamente sem adoçãoAvaliação heurística de usabilidadeR$ 5 milhões em vendas realizadas pela plataforma
Risco de perda de contratos com escolas parceirasTestes de usabilidadeRecuperação da operação digital de vendas
Fricções invisíveis impedindo conclusão da compraMapeamento da jornada de compraRedução da dependência de processos manuais
Redesign de interface e fluxos de compraFortalecimento da relação com escolas parceiras

UX, Design estratégico e Inovação.

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